segunda-feira, 30 de maio de 2011

Minha primeira bicicleta

Lembro de uma campanha publicitária da Caloi que marcou a minha infância. Nela as crianças escreviam bilhetes e deixavam em lugares estratégicos para lembrar a seus pais o que queriam de presente. Em todos os lugares possíveis tinham bilhetes com o lembrete: "Não esqueça a minha Caloi". Não encontrei o comercial que eu lembrava, mas achei um bem mais antigo, lá da década de 70, que ilustra a situação.


 A minha primeira bicicleta era uma daquelas bem pequenas, que a gente aprende a andar ainda com as rodinhas, aí tira a rodinha de um lado pra só depois andar sem nenhuma. Se não me engano, era uma bicicleta do Snoopy, vermelha com uns adesivos do personagem. Depois vieram outras, o tamanho foi aumentando até a adolescência, mas quando fiquei adulto perdi um pouco do interesse e não tive mais bicicletas. Aí veio o acidente. Vim parar na cadeira de rodas e bicicletas convencionais ficaram fora de cogitação, até que ouvi falar das handbikes. Comecei a pesquisar, procurar informações, mas não existiam fabricantes nacionais, só um modelo muito simples, sem graça, que não me agradou muito. Fui atrás das importadas e quase comprei uma pelo site bike-on, que tem muitas opções legais. Mas as bikes interessantes eram caras, o processo de importação um pouco complicado e a incidência de impostos as encarecia ainda mais, então adiei um pouco a compra.
Até que surgiu a Handvikn, o primeiro fabricante nacional, com um modelo bem interessante. Muito bonito e parecido com os modelos de competição. Pra inaugurar, a empresa fez uma promoção no blog Assim como você, um concurso cultural no qual a melhor resposta ganharia uma handbike e os vinte seguintes teriam um belo desconto na compra. Mandei a minha resposta, um poema que publiquei aqui no blog (clique aqui pra ler) e fiquei entre os vinte. Com o desconto, resolvi comprar minha bicicleta, que chegou semana passada.



Mas a chuva castigou Aracaju durante a semana e eu não pude testar o brinquedo, tive que aguentar a ansiedade. Ontem liguei pro meu primo Junior e fui com ele no Parque Augusto Franco, mais conhecido como Parque da Sementeira, e dei a primeira volta na bike. A experiência foi ótima, a sensação de velocidade que a bike proporciona é muito legal. A posição de "pilotagem" é quase deitada e fica bem próxima ao chão, o que aumenta ainda mais a sensação de velocidade. Dei várias voltas no parque e percebi que, graças ao basquete, meu condicionamento está em dia. Acelerei, desacelerei, peguei pequenos aclives, o que me possibilitou testar as marchas, tudo funcionou muito bem.
A handbike é um dos melhores investimentos que eu fiz como cadeirante, ela consegue proporcionar uma sensação de liberdade que fica muito restrita quando estamos na cadeira de rodas. A desvantagem dela é o tamanho, transportá-la vai exigir sempre a ajuda de outra pessoa, o que dificulta um pouco a situação. Mas o saldo é positivo, encontrei mais uma atividade que gostei de praticar e de quebra é uma melhora na qualidade de vida. Aos cadeirante que estiverem pensando em adquirir uma, eu recomendo. Aí estão as fotos do meu brinquedo novo, as imagens não ficaram muito boas porque já era noite e a câmera do celular do meu primo não ajudou muito, mas vale a intenção:



Em breve posto novas fotos e alguns vídeos. Beijo nas crianças!

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Matéria do G1

Essa matéria do G1 trata de uma nova abordagem no tratamento de lesões na medula. Não se trata de uma cura, mas um avanço inquestionável no tratamento de lesões medulares. Segue a matéria:


Paraplégico consegue levantar e se mover após tratamento com estímulo elétrico

Americano havia perdido movimentos após acidente de carro; especialistas advertem que possibilidade de 'cura' ainda está longe.

Da BBC Brasil

O americano Rob Summers (Foto: AP)O americano Rob Summers (Foto: AP)
Um americano que perdeu os movimentos do tronco para baixo após sofrer um acidente de carro agora consegue se levantar, graças a um estímulo elétrico em sua espinha dorsal. Rob Summers, do Estado de Oregon, disse que ficar de pé sozinho 'é uma sensação incrível'.
Ele consegue mover voluntariamente seus dedos do pé, quadris, joelhos e tornozelos, além de andar em uma esteira com ajuda de terceiros, segundo pesquisa publicada no periódico especializado The Lancet. Mas um especialista britânico adverte que o caso não deve ser interpretado como a descoberta da cura para casos de paraplegia.
Eletrodos
Summers foi um bem-sucedido jogador de basquete até 2006, ano em que foi atropelado e teve sua espinha dorsal danificada.Com isso, sinais enviados pelo seu cérebro, que antes 'viajavam' pela espinha dorsal, foram bloqueados, e ele ficou paralisado. Agora, médicos implantaram 16 eletrodos em sua espinha.
Summers começou a ensaiar diariamente tentativas de se levantar e mover as pernas, enquanto sinais eletrônicos eram enviados para a espinha dorsal. Em questão de dias, ele conseguiu se levantar sozinho e, depois, obteve controle sobre suas pernas, de forma a dar alguns passos, por curtos períodos de tempo e com o amparo de ajudantes.
Ele recobrou, também, controle sobre funções corporais, como o funcionamento de sua bexiga. 'Nenhum de nós acreditou', disse o professor Reggie Edgerton, da Universidade da Califórnia.
Para Summers, 'foi uma longa jornada, de incontáveis horas de treinamento, que mudaram a minha vida completamente'. 'Para alguém que, durante quatro anos, não pôde mover sequer um dedo, ter a liberdade e a habilidade de levantar sozinho é uma sensação incrível', disse.
Advertências
Há outros quatro pacientes na fila para receberem tratamento semelhante ao de Summers.
O estudo prova que o estímulo elétrico pode ter sucesso, mas, para o professor Geoffrey Raisman, do Instituto de Neurologia da universidade britânica UCL, ainda que o caso seja de grande interesse, a aplicação desse tipo de tratamento no futuro 'não pode ser julgada com base em apenas um paciente'.
'Do ponto de vista das pessoas que sofreram lesões na espinha dorsal, futuros testes do procedimento podem criar mais uma abordagem de obter benefícios. Não se trata da cura.'
A médica Melissa Andrews, do Centro de Recuperação Cerebral, de Cambridge, 'as pessoas devem ler (o estudo) e saber que a possibilidade existe, mas pode não chegar amanhã. É o mais perto (da cura a paralisias) que já chegamos, e a melhor esperança no momento'.
Para Summers, sua história é uma 'mensagem de esperança para pessoas paralíticas quanto à (possibilidade) de andar novamente. É uma grande possibilidade'.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Essa saiu no Kibe Loco

Meu amigo Pedro me mandou o link desse post no Kibe Loco. Muito engraçado, hehehe.


CAJADADA

Um repórter da TV Antena 10, afiliada da Rede Record, foi gravar uma matéria na rodoviária de Teresina (PI) sobre as dificuldades de acesso que os deficientes físicos enfrentam em locais públicos. Para tanto, o jornalista ficou perto de uma escada e esperou que o primeiro necessitado aparecesse.
O problema é que… bem… o deficiente físico em questão não ajudou muito a reportagem

terça-feira, 10 de maio de 2011

Cadeirantes e cidades históricas


 Nesse último sábado fui ao casamento de uma amiga em São Cristovão, que é a quarta cidade mais antiga do Brasil e foi a primeira capital de Sergipe. Tudo muito bonito: praças, igrejas, patrimônios históricos... Mas como toda cidade histórica, as ruas mais antigas são de paralelepípedo e os pisos das praças e calçadas são de pedra, tudo que um cadeirante adora.
O casamento foi muito bonito, igreja bem decorada, a felicidade no rosto das pessoas, noiva entrando ao som da Marcha Nupcial, parentes emocionados e... um degrau na entrada da igreja. Aí o cadeirante fica abandonado com cara de cachorro na porta da igreja (literalmente rsrsrsrs).



Claro que dava pra entrar na igreja com uma ajudinha, mas o clima lá fora tava tão bom que preferi ficar por lá a entrar e curtir um calorão. Depois da cerimônia houve uma recepção no espaço anexo, pertencente ao Convento de São Francisco, um lugar muito bonito. Pra entrar também tinha um degrau, mas recebi uma ajuda e entrei, afinal, eu não queria perder a boquinha.
Com o trabalhão que um casamento dá pra ser organizado seria pedir demais que a minha amiga Ingrid conseguisse providenciar rampas em todos os degraus, mas a questão não é essa. Uma cidade histórica, com monumentos tombados como patrimônio cultural da humanidade e pretensão de ser um destino turístico, bem que podia pensar em melhorar a acessibilidade.
Sabemos que com o tombamento dos monumentos não se pode mexer nas fachadas, nem fazer grande alterações estruturais, mas a gente sabe que com criatividade e, principalmente, um pouquinho de boa vontade é muito fácil resolver esse tipo de problema.

Em tempo: Logo que eu cheguei, dei de cara com uma cena incomum. Uma moça deficiente mental, estava na frente da igreja atirando pedras num cachorro e discutindo com as pessoas que a repreendiam. E como todos sabemos, nós cadeirantes atraímos esses tipos, digamos, incomuns. Ela andou pra cá e pra lá, olhou bastante e não resistiu. Encostou em mim e se virou pra minha amiga Paloma e disse: "Ele não fica em pé, não?", eu tomei a frente e respondi que não. "Nem quer tentar?", respondi negando. A reação dela foi a mais engraçada, bateu a mão nos quadris e fez cara de desanimada, como quem diz: "Poxa, acabou com a minha diversão". Já tô acostumado!

Ingrid, mais uma vez parabéns e muita felicidade.