segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Batistão - Avaliação de Acessibilidade


Visões externa e interna do estádio ainda não finalizado.

Aquela pose pra foto.

Ontem fui pela primeira vez ao Batistão (Estado Estadual Lourival Batista) depois da reinauguração. A minha experiência como cadeirante antes da reforma do estádio não era das melhores, não existia a mínima preocupação com acessibilidade. Na real, o estádio era ruim pra todo mundo: arcaico, desconfortável, sujo, sem banheiros, etc. Mas era o que tinha, então era o jeito.
Quando Aracaju não se candidatou pra ser uma das sedes da Copa do Mundo achei a atitude muito realista por parte do governo, porque felizmente o nosso dinheiro não seria desperdiçado na construção de um elefante branco, a exemplo de outras capitais do país. Mas foi anunciada uma reforma que prometia mudar a cara do estádio e transformá-lo numa arena moderna. Bom, terminada a reforma, o Batistão foi inaugurado no último dia 4 com a partida entre Confiança e Vitória pela Copa do Nordeste, mas preferi deixar pra assistir o clássico estadual ontem e conhecer a Arena, como se convencionou chamar os novos estádios.

Novo placar eletrônico acima da torcida do Confiança.

 Sergipe entrando em campo. Aquela área com sol também 
recebeu um ótimo público quando começou o jogo.

A torcida do Gipão.

Por fora o visual já ficou mais moderno com a instalação de placas de metal que deram uma cara nova à fachada. A área de acesso foi refeita, o estacionamento, que não é lá grande coisa, também. O piso de paralelepípedos nessa área dificulta o rolar da cadeira e torna a locomoção de qualquer pessoa que tenha alguma dificuldade de locomoção mais complicada. Muletas, bengalas, andadores e afins ficam muito instáveis nesse tipo de piso. Abaixo o paralelepípedo, viva o concreto usinado.

Nova fachada do Batistão.

O tradicional desrespeito às vagas exclusivas já era esperado, então nem vou tecer comentários, até porque, sabendo disso, fui de carona. Não tive grandes dificuldades pra pegar o ingresso na bilheteria, salvo a "boa vontade" e a cara de c... da moça do guichê, que verificava o passe das pessoas com deficiência e entregava o ingresso (aqui em Sergipe nós temos acesso livre a eventos esportivos, culturais e similares). E tinha também uma entrada exclusiva, que funcionou perfeitamente graças à boa vontade (essa sim) e educação do rapaz que estava responsável.
Assim que entrei no acesso às cadeiras brancas, onde ficam os espaços reservados às cadeiras de rodas, dei de cara com uma rampa muito bem feita (podia ter um pouquinho menos de inclinação, mas nada que comprometesse). Lá dentro, o estádio correspondeu a quase todas as expectativas, o resultado final ficou muito bonito, o acesso fácil aos lugares reservados e a posição privilegiada pra assistir o jogo merecem uma menção especial. O destaque negativo ficou por conta da falta de educação de algumas pessoas, que não entendem que aqueles lugares são exclusivos e não preferenciais. No intervalo do jogo fui comer aquela pipoquinha, que ninguém é de ferro, e quando voltei as cadeiras estavam indevidamente ocupadas por meia dúzia de folgados. Resultado: meu irmão que tinha entrado comigo e tinha direito a sentar em um daqueles lugares não tinha onde assentar a poupança, nem eu que às vezes gosto de sair da cadeira pra mudar de posição.

 Rampa.

Rampa.

 Área reservada às cadeiras de rodas.

Área reservada às cadeiras de rodas.

Não podia também deixar de falar dos banheiros, que me surpreenderam. Fui lá só pra dar uma olhada e tirar umas fotos. Os banheiros são exclusivos (masculino e feminino), separados dos convencionais e, pasmem, estavam limpos (vamos torcer para que continuem assim). Falando em limpeza, senti falta de cestos de lixo, não tinha nenhum. Isso mesmo: NENHUM. Acho que a gente tem que pensar em evoluir sempre, né? Se temos um estádio tão bonito agora vamos pensar em mantê-lo limpo.
Além disso, o lugar onde se compra comida poderia ser melhorado, coberto e receber uma infraestrutura um pouco melhor, nada demais, só um pouco de planejamento pra evitar tantas filas e ficar um pouco mais confortável.

Área externa dos banheiros exclusivos.

 Interior do banheiro exclusivo. Pia.

Interior do banheiro exclusivo. Vaso Sanitário.

Finalmente, o saldo da experiência foi positivo. O gramado estava um tapete, o que colaborou pra um bom jogo, o resultado final de 1x1 não deixou ninguém satisfeito, mas foi bom ver o Batistão de cara nova e recebendo um ótimo público de novo. Com exceção de alguns pequenos detalhes o Batistão está aprovado.