segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Malfatti


"Sou Malfatti, que em italiano significa malfeito. Mas tenho o dom de superar".

Outro dia li uma revista no avião. A matéria que me chamou a atenção falava da artista Anita Malfatti, precursora do Modernismo no Brasil. Eu já conhecia um pouco de Anita pelo que estudei na faculdade de publicidade, sobretudo em relação à Semana de Arte Moderna de 1922. Anita era dona de uma pintura mal compreendida, influenciada pelo que conheceu durante seus estudos na Europa ela fugia do estilo clássico e produzia uma arte que não se encaixava nos padrões.
Mas eu não vim aqui escrever sobre história da arte nem fazer uma biografia da artista. O que me chamou mais atenção na matéria foi um fato que eu desconhecia e que tem muito a ver com o propósito do blog: "A garota sempre foi tímida, principalmente por causa de um problema de nascença: o braço direito era mais curto, com poucos movimentos na pequena mão. Mais tarde resolveria a questão com mangas longas e largas, elegantes lenços esquecidos sobre a mão e muitos exercícios".
O texto destaca uma declaração da artista, que eu achei muito espirituosa: "Sou Malfatti, que em italiano significa malfeito. Mas tenho o dom de superar", dizia Anita sobre o problema no braço e sua notável capacidade de enfrentar as adversidades da vida. Achei muito interessante a maneira como ela brinca com o próprio nome e mais ainda a perseverança que teve pra vencer a desconfiança da família, da crítica e da elite paulistana e se tornar precursora de um dos mais importantes movimentos da arte brasileira. Taí, mais um exemplo de perseverança.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

I Meia Maratona de Sergipe - 2011

Mais um dia, mais um desafio vencido. Ontem, 11 de dezembro de 2011, corri a minha primeira Meia Maratona. Foi a primeira vez que a prova aconteceu no estado de Sergipe, o clima estava ótimo, o sol estava pegando, mas a brisa do mar ajudava a diminuir a sensação de calor. A largada, que devia acontecer às 6h30, atrasou um pouco e só aconteceu faltando uns cinco minutos pras sete horas. A prova dava três opções de distância: 6 Km, 13Km e 21 Km (que é a distância da Meia Maratona). Eu decidi encarar o desafio de correr os 21 Km, assumi comigo o compromisso de tentar e, se não conseguisse, paciência. Pois bem, largamos dos arcos da orla de Atalaia e seguimos o percurso, que pode ser visto abaixo.

O percurso.

Preparando para a largada.

Eu tinha instalado um ciclocomputador na minha bike há pouco tempo, é um aparelhinho que mede a velocidade e distância, e acho que isso me ajudou bastante, com o olho no dispositivo eu controlava a minha velocidade e foi mais fácil encontrar um ritmo confortável. Muito legal, eu conseguia visualizar minha velocidade real, a média e a máxima que consegui alcançar, além de saber a distância em que me encontrava, claro.

 Velocidade máxima: 34,6 Km/h.

Velocidade média: 17,5 Km/h.

 O percurso, apesar de longo, foi bem agradável. A brisa tornava o calor mais suportável e o trajeto era predominantemente plano, o mais difícil foi depois dos 17 Km, o trecho final da prova era à beira-mar, sem nenhuma barreira arquitetônica que barrasse o vento, eu fazia muita força nos braços, mas o vento me empurrava pra trás e eu não conseguia desenvolver uma boa velocidade como no início da prova, além do cansaço, que dificultava ainda mais.
Lá pela metade da prova, um caminhão pipa parado no meio do percurso jogava água nos atletas, e vou dizer que isso me deu uma revigorada. No mais, foi manter o ritmo, o legal dessa prova longa é observar como o corpo se comporta, às vezes você está tão cansado que acha que não vai aguentar, mas logo depois vem uma descarga de adrenalina, endorfina e sei lá mais o quê, e você ganha fôlego novo pra continuar.
Infelizmente não consegui encontrar o meu tempo oficial no site pra postar aqui, mas terminei a prova entre 1h10min/1h11min, um resultado melhor do que eu esperava. Pra quem não sabia se ia sequer conseguir terminar a prova, foi ótimo. A cada prova realizada me empolgo mais com a handbike e vem a vontade de encarar novos desafios, por agora não tenho nenhuma prova em vista, mas em breve terei novidades a respeito. Abaixo, o vídeo e o link com a matéria sobre a prova. Beijo nas crianças.

 Recebendo a medalha.

http://www.atalaiaagora.com.br/video.php?v=10344&t=PROVA+MEIA+MARATONA+-+REALIZACAO

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Volta de Aracaju 2011


Em tempo! Demorei um pouco pra postar, mas aqui vai. No último dia 15 de novembro aconteceu a Volta de Aracaju, uma corrida de rua que já se tornou tradicional aqui na cidade. Diferente da Night Run, a corrida aconteceu durante o dia e a largada foi às 8h da manhã. O sol, por sinal, estava de rachar e vários atletas passaram mal.

A largada dos atletas com deficiência.

Foi apenas a segunda corrida que participei, um bom desafio, já que o percurso de 10 Km era até então o maior que eu já tinha enfrentado em uma prova. O trajeto seguiu por grandes avenidas da cidade e o apoio das pessoas que assistiam na rua foi muito marcante. A prova tinha dois grandes desafios, subir dois viadutos. O primeiro, na Av. Tancredo Neves, não me preocupava tanto, por ser no início da prova e ter uma subida mais suave, já o da Avenida Nova Saneamento, passando sobre a Av. Hermes Fontes, é muito íngreme e eu tinha sérias dúvidas se ia conseguir subir. Sim, porque andando é mole, mas levando o corpo todo só com a força dos braços é que fica difícil.

Eu, assim que tinha me transferido da cadeira pra hand, ao lado do meu segurança, Amós.

Enfim, logo no começo consegui me destacar, mesmo porque eu era o único atleta deficiente com uma handbike e, admito, isso já me dava uma boa vantagem. Mas a minha preocupação não era ganhar a corrida, e sim completar a prova. Segui na frente por todo o percurso, enfrentando sol e calor fortíssimos, mas aproveitando bastante a experiência. Devo admitir que gostei bastante da corrida: a adrenalina da prova, o clima de competição, o apoio dos espectadores e, mais do que tudo, a sensação de velocidade e liberdade que a handbike proporciona, é uma sensação que eu sentia bastante falta desde o acidente. Claro que eu já tinha andado bastante com ela, mas correr pelas ruas e avenidas da cidade dá uma sensação diferente.

Preparando pra largada.

No fim das contas cheguei em primeiro entre os atletas com deficiência, mas como eu disse, não estava muito preocupado com isso, fiquei muito satisfeito por ter completado o percurso e cheguei muito bem fisicamente. O meu tempo foi de aproximadamente 33 minutos (não peguei o tempo oficial). Meus parceiros Gilvan e Ulisses (que correu comigo a Night Run), chegaram em segundo e terceiro, respectivamente.  No feminino, nossa amiga Gil, que também treina basquete conosco, foi a campeã.

A chegada.

Pódio.

Essa grande experiência me deixou ainda mais empolgado e já me inscrevi na Meia-maratona de Sergipe, que acontece no dia 11 de dezembro e terá a largada nos arcos da Orla de Atalaia.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Aracaju Night Run 2011


No último dia 5 eu participei da corrida noturna Aracaju Night Run. É uma corrida de revezamento em dupla com um percuso total de 9 Km, divididos entre os integrantes. Essa foi a primeira vez que participei de uma prova de rua e gostei bastante. O meu parceiro nessa empreitada foi o meu amigo Ulisses Freitas, também cadeirante e integrante da equipe de basquete do CIEP.


 


Os 4,5 Km serviram de preparação para a Volta de Aracaju, uma prova tradicional aqui da cidade que tem um percurso de 10 Km passando por importantes avenidas. No próximo dia 15 vou encarar esse novo desafio, já pensando em treinar mais pra cumprir distâncias maiores.
Como primeira experiência a Night Run foi muito legal, a minha handbike atraiu muitos olhares curiosos. Como nós éramos os únicos atletas com deficiência a participar da prova, os incentivos vindos da platéia e dos outros atletas foram bem marcantes.



Eu não tive grandes dificuldades pra completar o percurso, a bike deu conta do recado tranquilamente. Mas Ulisses enfrentou um grande desafio, já que correu com a cadeira de basquete, tendo trocado apenas as rodinhas pequenas por outras maiores e mais resistentes. A cadeira, que foi feita para pisos lisos e planos, sofreu bastante, perdia tração e parava no piso àspero. Mas com força de vontade e muita força física, meu parceiro concluiu o percurso. O cara é guerreiro.



Agora é continuar me preparando durante essa semana para encarar os 10 Km da Volta no próximo dia 15. Vamo que vamo.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Regional Nordeste de Basquete em Cardeira de Rodas - RECIFE 2011

Poizé, voltamos de mais um campeonato e, infelizmente, a competição foi marcada pela desorganização e falta de condições para os atletas. Uma série de questões políticas envolvendo a Confederação quase impediu a competição de ser realizada, que chegou a ser adiada mais de uma vez. No fim das contas, o campeonato aconteceu, mas foi marcado por uma série de problemas.


Pra começar, o Tigres, do Rio Grande do Norte, realizou uma série de transferências eticamente questionáveis, mas que, devido a algumas brechas no regulamento, foram consideradas legais, o que causou revolta nos outros times. Diel, nosso cordenador técnico e responsável pela equipe, estava tão indignado que declarou que, se dependesse dele, voltaríamos pra casa. Mas deixou a decisão a cargo dos atletas, que decidiram ficar. Afinal, ninguém queria jogar fora um ano de preparação. Fato é que o time potiguar montou uma equipe com nível técnico muito alto e acabou campeão.
Cerca de 25 dias antes do início da competição, a CBBC, que sempre arcou com a hospedagem, avisou que não pagaria o hotel e as equipes que quisessem precisariam pagar R$ 300,00 por atleta. Com as duas equipes que levamos, nós do CIEP (Centro Integrado de Esporte Paratleta), teríamos que conseguir pouco mais de R$ 8.000,00 pra colocar todos no hotel, o que não aconteceu, claro. Finalmente, todas as equipes que não ficaram em hotel seriam colocadas no alojamento conseguido pela Confederação. Ficamos no 4º Batalhão de Comunicação do Exército, na BR-101, entrada de Recife. Além de longe dos locais de competição, o quesito acessibilidade não foi levado em consideração, algo inconcebível em uma competição para atletas com deficiência. O dormitório era apertado e desconfortável, os vestiários eram coletivos e de difícil acesso. Pra completar, a comida estava péssima. Alguns atletas até tiveram alguns problemas intestinais.

 O espaço entre as camas era pequeno para a circulação das cadeiras

 O vestiário não tinha boa acessibilidade. A cadeira de banho ao fundo é a minha,

As portas que davam acesso aos sanitários eram muito estreitas.

Mas a situação não era "privilégio" nosso, as outras equipes, com poucas exceções, enfrentaram as mesma condições. Enfim, com toda a desorganização a competição aconteceu. Mesmo com o desencontro de informações, tabela de jogos mal feita, trocas de ginásio e outros problemas, as equipes se dedicaram e fizeram um belo campeonato.
Nós da equipe A terminamos em terceiro, após uma bela vitória de virada sobre a equipe do Ceará. Infelizmente apenas duas equipes se classificam para o brasileiro e como não conseguimos repetir o resultado do ano passado, quando ficamos em segundo, não nos classificamos. A equipe B sofreu com o nervosismo e a ansiedade e sabe que poderia ter ido melhor, mas terminou no sétimo lugar.
Apesar dos problemas, rimos bastante e nos divertimos, isso que importa. E que venha o próximo.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Fecharam a cancela no GBarbosa.

Dia desses eu tava por aí na balada (porque ninguém é de ferro) e antes de voltar pra casa, pra variar, decidimos ir comer alguma coisa. Estávamos eu, minha amiga Paloma e meu recém-amigo made in Spain, Sergi. Decidimos ir comer um sanduíche no Subway, anexo ao supermercado GBarbosa na Avenida Francisco Porto, uma via importante aqui de Aracaju.
Eis que, chegando lá com uma fome dos infernos, diga-se de passagem, encontro uma cancela fechada com cadeado. Perguntei-me eu a mim mesmo: "Que porra é essa? Será que eles têm problemas com bois e animais afins por essas bandas? Ou não gostam de aleijados, mesmo?". Chamamos um funcionário da lanchonete e eu perguntei o por quê, ele me informou que aquilo era de responsabilidade do supermercado, que fechava aquela cancela todo dia.


Procurei outro acesso pra entrar e encher o bucho, e nada. Como eu já estava com o "estambo" colando nas costas resolvi aceitar ser carregado, o que não é muito seguro, muito menos agradável (confesso que eu também estava com um pouco de medo porque o meu amigo espanhol já tinha tomado umas caipirinhas). Sergi e o funcionário muito solicito me ajudaram a entrar e sair, depois de comer, claro. Dias depois, comentei com meu amigo Bruno a respeito, o pai dele trabalha para o GBarbosa, e ele disse que ia procurar saber.
Tempinho mais tarde, minha cunhada Érica, disse ter passado por lá e viu a cancela aberta. Eu ainda não fui conferir de novo, mas acredito que se essa informação chegar ao pessoal do supermercado eles vão dar um jeito. Parece que esse cercadinho foi feito em volta do supermercado pra evitar que os carrinhos sejam levados embora, fato constante aqui em Aracaju, mas a solução encontrada não pode cercear o meu direito de ir e vir.




Quem sabe outro dia, numa das minhas raras saídas pra balada, eu não vá lá conferir?

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Sonhos

Há algumas semanas aconteceu uma coisa que eu não sabia se devia dividir com todos aqui no blog. Nada demais, nada vergonhoso, mas eu sempre fui muito reservado e não sabia se ia me sentir à vontade pra revelar o acontecido. Enfim, refleti um pouco e cheguei a conclusão que não tem nenhum problema. Então aqui vai.
Tinha sido um dia cansativo, já era quase meia noite e eu tinha ido deitar. Cansado e com sono, fiquei devaneando antes de dormir. Estava naquele estágio, entre o acordado e o sono e comecei a imaginar uma festa aqui em casa. Família e amigos presentes, todo mundo bastante feliz, conversas pra cá e pra lá, até que me dou conta da razão daquela reunião.
No meu sonho, aquela festa estava sendo realizada pra comemorar a minha recuperação completa, a vitória sobre a lesão medular (se é que se pode chamar assim). Eu estava andando todo serelepe (o que não é grande novidade, é comum que eu me veja assim nos meus sonhos), conversando com todo mundo, sorrindo e ouvindo as histórias. Em determinado momento, pego o microfone pra fazer um discurso de agradecimento.
Nessa hora eu já estava mais desperto, o sono já tinha perdido pra empolgação que eu sentia, mas, mesmo meio acordado, eu não queria sair daquele sonho e continuei ensaiando o discurso. Agradecia ao meu pai pela dedicação incondicional; à minha mãe, que por um bom tempo abdicou da própria vida e do trabalho pra me acompanhar; aos meus dois irmãos, que nas palavras que me vinham à cabeça naquele momento, tinham sido, muitas vezes, minhas pernas esquerda e direita; tios, primos e amigos que estiveram presentes nos momentos difíceis.
De repente, as lágrimas que rolavam no sonho começaram a invadir a minha realidade e eu estava chorando de verdade, na cama, enrolado no lençol e sentindo como se aquilo estivesse mesmo acontecendo. Lembrei de toda a dor física e psicológica, dos planos desfeitos, das expectativas frustradas... tudo por que eu tinha passado ao longo desses cinco anos. Fiquei assim por alguns minutos, não sei ao certo quanto, até me recompor e voltar à realidade.
Quero dizer que eu não vivo remoendo o passado, não fico preso ao "e se", imaginando como as coisas teriam sido se isso não tivesse acontecido comigo. Nem acho isso saudável, o melhor mesmo é viver o presente e olhar para o futuro. Mas, pelo menos pra mim, o sonho de voltar a andar e controlar o meu corpo continua vivo, ainda que eu tenha escolhido viver a realidade como ela se apresenta hoje. A possibilidade de não voltar a andar existe e eu aprendo diariamente a lidar com ela, mas o sonho de recuperação está vivo e eu preciso dele pra seguir em frente. Essa é a minha maneira de ver as coisas, mas entendo que cada um tenha suas próprias experiências e expectativas.
Pra terminar, deixo dois trechos de duas músicas que gosto bastante e que, acredito, têm a ver comigo e com um pouco do que eu disse aqui:

Trecho de O Vencedor - Los Hermanos


"Eu que já não sou assim
Muito de ganhar
Junto às mãos ao meu redor
Faço o melhor que sou capaz
Só pra viver em paz"


Trecho de Além do que se vê - Los Hermanos

 "É preciso força pra sonhar e perceber
Que a estrada vai além do que se vê"