quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Regional Nordeste de Basquete em Cardeira de Rodas - RECIFE 2011

Poizé, voltamos de mais um campeonato e, infelizmente, a competição foi marcada pela desorganização e falta de condições para os atletas. Uma série de questões políticas envolvendo a Confederação quase impediu a competição de ser realizada, que chegou a ser adiada mais de uma vez. No fim das contas, o campeonato aconteceu, mas foi marcado por uma série de problemas.


Pra começar, o Tigres, do Rio Grande do Norte, realizou uma série de transferências eticamente questionáveis, mas que, devido a algumas brechas no regulamento, foram consideradas legais, o que causou revolta nos outros times. Diel, nosso cordenador técnico e responsável pela equipe, estava tão indignado que declarou que, se dependesse dele, voltaríamos pra casa. Mas deixou a decisão a cargo dos atletas, que decidiram ficar. Afinal, ninguém queria jogar fora um ano de preparação. Fato é que o time potiguar montou uma equipe com nível técnico muito alto e acabou campeão.
Cerca de 25 dias antes do início da competição, a CBBC, que sempre arcou com a hospedagem, avisou que não pagaria o hotel e as equipes que quisessem precisariam pagar R$ 300,00 por atleta. Com as duas equipes que levamos, nós do CIEP (Centro Integrado de Esporte Paratleta), teríamos que conseguir pouco mais de R$ 8.000,00 pra colocar todos no hotel, o que não aconteceu, claro. Finalmente, todas as equipes que não ficaram em hotel seriam colocadas no alojamento conseguido pela Confederação. Ficamos no 4º Batalhão de Comunicação do Exército, na BR-101, entrada de Recife. Além de longe dos locais de competição, o quesito acessibilidade não foi levado em consideração, algo inconcebível em uma competição para atletas com deficiência. O dormitório era apertado e desconfortável, os vestiários eram coletivos e de difícil acesso. Pra completar, a comida estava péssima. Alguns atletas até tiveram alguns problemas intestinais.

 O espaço entre as camas era pequeno para a circulação das cadeiras

 O vestiário não tinha boa acessibilidade. A cadeira de banho ao fundo é a minha,

As portas que davam acesso aos sanitários eram muito estreitas.

Mas a situação não era "privilégio" nosso, as outras equipes, com poucas exceções, enfrentaram as mesma condições. Enfim, com toda a desorganização a competição aconteceu. Mesmo com o desencontro de informações, tabela de jogos mal feita, trocas de ginásio e outros problemas, as equipes se dedicaram e fizeram um belo campeonato.
Nós da equipe A terminamos em terceiro, após uma bela vitória de virada sobre a equipe do Ceará. Infelizmente apenas duas equipes se classificam para o brasileiro e como não conseguimos repetir o resultado do ano passado, quando ficamos em segundo, não nos classificamos. A equipe B sofreu com o nervosismo e a ansiedade e sabe que poderia ter ido melhor, mas terminou no sétimo lugar.
Apesar dos problemas, rimos bastante e nos divertimos, isso que importa. E que venha o próximo.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Fecharam a cancela no GBarbosa.

Dia desses eu tava por aí na balada (porque ninguém é de ferro) e antes de voltar pra casa, pra variar, decidimos ir comer alguma coisa. Estávamos eu, minha amiga Paloma e meu recém-amigo made in Spain, Sergi. Decidimos ir comer um sanduíche no Subway, anexo ao supermercado GBarbosa na Avenida Francisco Porto, uma via importante aqui de Aracaju.
Eis que, chegando lá com uma fome dos infernos, diga-se de passagem, encontro uma cancela fechada com cadeado. Perguntei-me eu a mim mesmo: "Que porra é essa? Será que eles têm problemas com bois e animais afins por essas bandas? Ou não gostam de aleijados, mesmo?". Chamamos um funcionário da lanchonete e eu perguntei o por quê, ele me informou que aquilo era de responsabilidade do supermercado, que fechava aquela cancela todo dia.


Procurei outro acesso pra entrar e encher o bucho, e nada. Como eu já estava com o "estambo" colando nas costas resolvi aceitar ser carregado, o que não é muito seguro, muito menos agradável (confesso que eu também estava com um pouco de medo porque o meu amigo espanhol já tinha tomado umas caipirinhas). Sergi e o funcionário muito solicito me ajudaram a entrar e sair, depois de comer, claro. Dias depois, comentei com meu amigo Bruno a respeito, o pai dele trabalha para o GBarbosa, e ele disse que ia procurar saber.
Tempinho mais tarde, minha cunhada Érica, disse ter passado por lá e viu a cancela aberta. Eu ainda não fui conferir de novo, mas acredito que se essa informação chegar ao pessoal do supermercado eles vão dar um jeito. Parece que esse cercadinho foi feito em volta do supermercado pra evitar que os carrinhos sejam levados embora, fato constante aqui em Aracaju, mas a solução encontrada não pode cercear o meu direito de ir e vir.




Quem sabe outro dia, numa das minhas raras saídas pra balada, eu não vá lá conferir?

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Sonhos

Há algumas semanas aconteceu uma coisa que eu não sabia se devia dividir com todos aqui no blog. Nada demais, nada vergonhoso, mas eu sempre fui muito reservado e não sabia se ia me sentir à vontade pra revelar o acontecido. Enfim, refleti um pouco e cheguei a conclusão que não tem nenhum problema. Então aqui vai.
Tinha sido um dia cansativo, já era quase meia noite e eu tinha ido deitar. Cansado e com sono, fiquei devaneando antes de dormir. Estava naquele estágio, entre o acordado e o sono e comecei a imaginar uma festa aqui em casa. Família e amigos presentes, todo mundo bastante feliz, conversas pra cá e pra lá, até que me dou conta da razão daquela reunião.
No meu sonho, aquela festa estava sendo realizada pra comemorar a minha recuperação completa, a vitória sobre a lesão medular (se é que se pode chamar assim). Eu estava andando todo serelepe (o que não é grande novidade, é comum que eu me veja assim nos meus sonhos), conversando com todo mundo, sorrindo e ouvindo as histórias. Em determinado momento, pego o microfone pra fazer um discurso de agradecimento.
Nessa hora eu já estava mais desperto, o sono já tinha perdido pra empolgação que eu sentia, mas, mesmo meio acordado, eu não queria sair daquele sonho e continuei ensaiando o discurso. Agradecia ao meu pai pela dedicação incondicional; à minha mãe, que por um bom tempo abdicou da própria vida e do trabalho pra me acompanhar; aos meus dois irmãos, que nas palavras que me vinham à cabeça naquele momento, tinham sido, muitas vezes, minhas pernas esquerda e direita; tios, primos e amigos que estiveram presentes nos momentos difíceis.
De repente, as lágrimas que rolavam no sonho começaram a invadir a minha realidade e eu estava chorando de verdade, na cama, enrolado no lençol e sentindo como se aquilo estivesse mesmo acontecendo. Lembrei de toda a dor física e psicológica, dos planos desfeitos, das expectativas frustradas... tudo por que eu tinha passado ao longo desses cinco anos. Fiquei assim por alguns minutos, não sei ao certo quanto, até me recompor e voltar à realidade.
Quero dizer que eu não vivo remoendo o passado, não fico preso ao "e se", imaginando como as coisas teriam sido se isso não tivesse acontecido comigo. Nem acho isso saudável, o melhor mesmo é viver o presente e olhar para o futuro. Mas, pelo menos pra mim, o sonho de voltar a andar e controlar o meu corpo continua vivo, ainda que eu tenha escolhido viver a realidade como ela se apresenta hoje. A possibilidade de não voltar a andar existe e eu aprendo diariamente a lidar com ela, mas o sonho de recuperação está vivo e eu preciso dele pra seguir em frente. Essa é a minha maneira de ver as coisas, mas entendo que cada um tenha suas próprias experiências e expectativas.
Pra terminar, deixo dois trechos de duas músicas que gosto bastante e que, acredito, têm a ver comigo e com um pouco do que eu disse aqui:

Trecho de O Vencedor - Los Hermanos


"Eu que já não sou assim
Muito de ganhar
Junto às mãos ao meu redor
Faço o melhor que sou capaz
Só pra viver em paz"


Trecho de Além do que se vê - Los Hermanos

 "É preciso força pra sonhar e perceber
Que a estrada vai além do que se vê"