sábado, 31 de julho de 2010

Blog do Sakamoto

Na última sexta-feira, dia 30, foi liberado o primeiro teste em humanos no mundo de um tratamento com células-tronco embrionárias, que podem se transformar em qualquer tecido do corpo. Agora há pouco li um post no Blog do Sakamoto intitulado "Células tronco e a ditadura do comportamento" que achei brilhante. Por isso colo aqui no blog esse texto pra vocês lerem.

Células-tronco e a ditadura do comportamento

Em 09 de março de 2009, o presidente dos Estados Unidos Barack Obama suspendeu as restrições ao financiamento público de pesquisas com células-tronco embrionárias impostas pela administração Bush, cumprindo uma promessa de campanha. Células-tronco possuem a capacidade de se converterem em quase todos os tipos de células humanas e, por isso, são alvo de pesquisas com potencial ainda não totalmente compreendido – tratar a doença de Parkinson, devolver movimentos e visão a vítimas de acidentes, curar diabetes…
Agora o órgão que controla os medicamentos por lá liberou nesta sexta (30) o primeiro teste no mundo em humanos de um tratamento derivado de células-tronco embrionárias (obtidas a partir de embriões com menos de uma semana de existência). A empresa Geron irá escolher até dez pacientes com lesão recente na medula espinhal que receberão as células e serão acompanhados por um ano.
Já abordei este tema neste blog várias vezes e não sou um especialista em ciência feito jornalistas como Claudio Ângelo e Marcelo Leite, mas a notícia vale nota e anima não apenas pelo avanço médico que simboliza, mas também por mostrar que estamos conseguindo dar importantes passos contra a ditadura da religião e seu manual de comportamento.
É claro que não sou inocente de achar que a indústria da saúde nos Estados Unidos (talvez a mais selvagem das selvagens indústrias do capitalismo, que ganha bilhões explorando o sofrimento) não lucrará muito com o know-how que será acumulado a partir das portas que se abrem. Como noticiei aqui antes, o próprio Obama, na época, reclamou – básico – que os EUA estavam ficando para trás do ponto de vista técnico-comercial. Mas o uso desse tipo de terapia deve ajudar a reduzir o sofrimento de milhões de pessoas no futuro, ricas e pobres, e portanto, deve ser incentivado.
Por aqui, após um longo debate, o Supremo Tribunal Federal aprovou em maio de 2008 as pesquisas com células-tronco embrionárias, rejeitando uma ação direta de inconstitucionalidade que tentava barrá-las. A votação foi apertada, seis a cinco, com os ministros Carlos Ayres Britto, Ellen Gracie, Carmen Lúcia Antunes Rocha, Joaquim Barbosa, Marco Aurélio Mello e Celso de Mello votando a favor.
Há aqueles que defendem apenas as pesquisas com células-tronco adultas, para evitar o descarte de embriões. Essa linha também é promissora, mas não pode ser a única adotada frente à versatilidade das células células-tronco embrionárias. E vamos sem racionais, pelo amor de Deus! Um grupo de algumas células embrionárias congeladas após terem sido preteridas em um tratamento de fertilização e que seriam lançadas para virar pó em um incinerador não podem ter o mesmo valor de um ser humano nascido. Ou de alguém que perdeu o movimento das pernas. Ou de uma pessoa que é obrigada a injetar insulina todo santo dia. Ou alguém que, religiosamente, teve que alterar sua rotina porque perdeu a visão em um acidente. Se for necessário utilizar essas células para que alguém volte a andar, ouvir e enxergar ou seja curado de uma doença degenerativa fatal, que se faça.
O pior é ter que ouvir que o uso desses embriões é assassinato… A humanidade já deveria ter evoluído para deixar as cruzadas de lado, mas os conservadores (atenção, não estou colocando as igrejas todas no mesmo balaio como muitos dizem que gosto de fazer por aqui – apenas as suas alas mais reacionárias) botam cada vez mais lenha na fogueira de uma guerra santa contra a dignidade do ser humano. Que, ironicamente, é o desejo do Criador de acordo com as diferentes escrituras.
Vale lembrar que, nem bem Bento 16 aterrissou por aqui em 2007, e já foi condenando o aborto, a pesquisa com embriões para obtenção de células-tronco e a eutanásia. “Escolhe, pois, a vida” foi o tema da Campanha da Fraternidade da CNBB em 2008, quando a crítica ao direito ao aborto, às pesquisas com células-tronco embrionárias e à eutanásia foi grande. As Campanhas têm um papel fundamental na vida dos católicos do país e são importantes. Por isso, defendo que haja liberdade plena para qualquer grupo se manifeste como quiser sobre esses temas. Liberdade, contudo, que deve ser estendida a todos. Por isso, vamos aproveitar esse momento para abrir o debate à sociedade a fim de que ela possa fazer suas próprias escolhas e não ser guiada por terceiros.
Ao final, se determinado grupo for contra o uso de células-tronco embrionárias no futuro, sem problema. Oriente seus fiéis a viver (ou morrer) sem utilizar o tratamento e receber seu prêmio em um plano superior. Não tenho certeza se serão ouvidos por muita gente.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

4 anos

21 de julho de 2006. Exatamente há quatro anos minha vida mudou. Dezoito dias depois eu acordava do coma, e a primeira lembrança que tenho é do meu pai dizendo: "Oi meu filho, lembra de mim? Sabe quem sou eu?". "Como assim, pai? Claro que eu lembro, por que você tá me perguntando isso?", pensei. Até porque eu não conseguia falar, o respirador que entrava pela traqueostomia não permitia.
Quatro anos se passaram. Recuperei, a duras penas, os movimentos dos braços, parte do controle do tronco e grande parte da minha autonomia. Reaprendi a conviver com o meu corpo e com a nova realidade que ele me impõe, na verdade é um eterno aprendizado. O que importa é que estou aqui, seguindo em frente, com os olhos no futuro e almejando sempre mais. Não desisti, nem vou; apesar de agora tudo ser mais difícil.
O dia do meu acidente é sempre um dia difícil, de muita reflexão. Daqui a seis dias completo 28 anos, ainda tenho muita vida pela frente (Pelo menos eu acho. Nunca se sabe o que pode acontecer... e eu sei bem disso). Ainda tenho razões pra comemorar, acho que vou reunir uns amigos e pessoas queridas, sair, bater papo, comemorar o fato de ainda estar aqui. E pensar no futuro...
Foram quatro anos difíceis, de muito aprendizado, amadurecimento, muitas lágrimas, mas também muitos sorrisos. É difícil conviver com a deficiência, claro. Mas quem disse que a vida tinha que ser fácil? E quem é que pode escolher tudo que vai lhe acontecer? Um dia eu acordei sem saber o que tinha acontecido e tudo estava diferente. Minha vida mudou a partir de então, mas eu preciso conviver com isso.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Intimate Rider

Bom pessoal, como vocês devem saber (ou imaginar), o sexo é um desafio um pouco mais complicado pra quem é deficiente físico. Há ainda aqueles que acreditem que nós não praticamos, mas pasmem! Nós quebrados também fazemos esse negócio aí. Pra quem tem uma lesão medular ou qualquer outra restrição de movimentos, o sexo pode ser uma tarefa um pouco mais complicada, mas não impossível.
É bem verdade que não dá mais pra realizar todas as posições do Kama Sutra, mas com vontade e um pouco de imaginação dá pra fazer coisas, digamos... bem interessantes. Hoje venho falar de um aparelho que ajuda bastante a variar quando o quesito é sexo, o brinquedo se chama Intimate Rider. Ele ajuda bastante porque essa cadeirinha possibilita aquele vai e vem que fica bastante difícil de realizar depois da lesão medular. Eu já conhecia o aparelho, mas lembrei dele há pouco tempo quando minha amiga Juliana fez um post sobre ele no seu blog.
Quem tiver interesse em adquirir o brinquedo tem duas opções, ele custa menos de 300 dólares na SportAid e também tem um cara que tá vendendo ele aqui no Brasil por meio do blog. Agora fiquem com algumas fotos e um vídeo bem educativo sobre o aparelho.





terça-feira, 6 de julho de 2010

Matéria do UOL

Achei essa matéria no site do UOL. Olha que iniciativa legal:


Mostra com foco na arquitetura inclusiva traz ambientes acessíveis




O D&D Shopping em São Paulo firmou parceria com o Instituto Brasil Acessível para a realização da 1ª Mostra Casa e Corporativo Acessíveis, que acontece entre os dias 23 de junho e 25 de julho de 2010. O objetivo é divulgar o conceito de arquitetura inclusiva, possibilitando aos visitantes a experiência de usufruir ambientes totalmente acessíveis.
O conceito de arquitetura inclusiva é baseado no princípio do desenho universal, que cria espaços que possam ser usados pelo maior número de pessoas possível, propondo casas preparadas para qualquer limitação física, imposta pelo avanço da idade ou pela deficiência física.
No palco da praça de alimentação do shopping foi montada uma casa de um andar e 12 ambientes internos com estrutura metálica e vidros com vários espaços residenciais. Nos corredores foram construídos quatro ambientes corporativos, quatro ambientes residenciais e uma garagem.
Uma casa com o design universal é acessível para todo tipo de pessoa, tanto para crianças e idosos, que precisam de segurança, como para o cadeirante. “Além de adequações nos espaços de circulação de público, a mostra incentiva cada profissional a tornar seus ambientes inclusivos, colaborando para que a mostra se torne acessível a todos”, afirma Sandra Perito, curadora da mostra e diretora presidente do Instituto Brasil Acessível.
Participam da mostra os seguintes profissionais da arquitetura, design de interiores e paisagismo: Aquiles Nicolas Kílaris e Felipe Graciano Bignotto, Claudia Scheneider e Adriana Agostinho, Cristiane Schiavoni, Daniela Colnaghi, Daniela e Virgínia Velloza, Evelin Sayar, Gigi de Arruda Botelho, Glen Finch, Jorge Paulientti, Leandro Giordano, Marcos Jordão, Maria Fernanda Rodrigues, Marisa Garcia e Marli Assis, Melissa Lira e Ingrid Cincurá, Milena Pereira e Vanessa Fontes, Nelia Chinelly Fay e Rita Ramos, Robson Gonzales, Solange Marchezini e Cíntia Ema Padovan, Sueli Adorni e Zoe Gardini.

domingo, 4 de julho de 2010

Regional de Basquete em Cadeira de Rodas 2010

De 15 a 20 de junho, estive com a equipe do CIEP em Recife para o campeonato regional de basquete em cadeira de rodas. O CIEP levou duas equipes, a equipe A com pretensão de realmente brigar pelo título e, mais importante, se classificar para o brasileiro, que acontece em setembro no Mato Grosso; e a equipe B, que foi com atletas mais inexperientes com o intuito de ganhar experiência.
O resultado foi muito legal, a equipe A foi vice-campeã da competição e conseguiu se classificar para o brasileiro, a equipe B venceu apenas um jogo e ficou em oitavo lugar, entre 12 concorrentes. Nada mal pra um clube que não tem muito apoio e só consegue se reunir para treinar duas vezes por semana. E olhe lá!
A boa notícia é que fomos para o campeonato com cadeiras novas, que foram dadas pela Secretaria de Estado de Esporte e Lazer e chegaram dois dias antes da competição. A diferença entre essas cadeiras novas e as antigas é gigantesca, elas são mais bonitas e muito mais leves, feitas em alumínio, ao contrário das antigas que são de ferro (acho).
Agora é continuar treinando e que venha o brasileiro:


Eu na cerimônia de abertura.

Eu e Ronaldo no ônibus.

Eu e Cascalho, o homem sem perna.

As duas equipes lado a lado na abertura.

Abertura.

Um monte de aleijados.

As camisas secando depois de serem lavadas na pia do banheiro com sabonete.

Equipe A.

Batendo papo na porta do hotel. Eu, Ronaldo e Júlio.

No restaurante

Equipe A depois da final.

Shopping Recife

Orla de Boa Viagem, Andréa não quis me atender.

Na fuga da concentração encontramos os brothers da Bahia.

Jean, nosso cúmplice.

Cerimônia de encerramento.

Troféu de vice-campeão e de All-Star que Letinho ganhou.

A galera reunida no ônibus no último dia.