quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Pelo coração dos cadeirantes.


Não, este post não fala de amor e romance envolvendo cadeirantes. Este é o título de uma matéria recém publicada na revista Runner's de novembro de 2013, que revela uma pesquisa inédita feita pela Unicamp exclusivamente com cadeirantes vítimas de lesão na medula espinhal, que é o caso deste jovem que vos fala.
Não é nenhuma novidade que a prática de exercícios físicos traz muitos benefícios à saúde de qualquer praticante, mas essa pesquisa fechou um pouco mais o escopo e analisou um grupo muito específico de malacabados: os lesados medulares.
Resumindo a história...Os pesquisadores avaliaram um grupo de cadeirantes que jogavam regularmente basquete, tênis, rúgbi ou handebol há pelo menos um ano e os resultados foram pra lá de animadores.


Os números conhecidos indicavam que de 30 a 50%  de quem sofreu lesão na medula apresentava algum problema cardíaco após dez anos do acidente, na população geral esse índice fica entre 5 e 10%. Sentiu o drama? A boa notícia é que, mesmo com a limitação dos movimentos, no grupo de cadeirantes ativos o coração trabalha com mais vigor, bombeando mais sangue e oxigênio para o corpo todo, além disso há uma escassez de placas de gordura nociva acumuladas em seus vasos sanguíneos.


Agora o mais interessante. Os cientistas notaram que entre os indivíduos com lesão medular em geral havia um espessamento da parede das carótidas, artérias situadas no pescoço que levam o sangue para o cérebro, o que favoreceria o aparecimento de placas ali. Mas entre os que praticavam esportes, o estado dessas artérias ficava dentro dos parâmetros normais.
Posso falar por experiência própria. Sempre pratiquei esportes, mas parei durante o processo de reabilitação. Quando voltei a praticar exercícios após a lesão medular, que no meu caso se deu com o basquete, não demorei a perceber os resultados. Houve uma melhora nítida na respiração, no equilíbrio, na força muscular... e por que não dizer também na autoestima, autoconfiança, nas relações interpessoais, etc. Hoje já não pratico mais o basquete em cadeira de rodas, mas continuo com as minhas atividades. Agora é a vez do paraciclismo, estou pedalando a minha handbike há mais dois anos.
Nós que fomos abatidos pela guerra estamos mais sujeitos a apresentar uma série de problemas de saúde, mas a boa notícia é que a prática regular de exercícios pode derrubar essa probabilidade a níveis muito mais baixos. E você, tá esperando o que pra se movimentar?

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Panamá é o canal.


Neste último dia 3, cheguei em Aracaju de uma viagem que fiz ao Panamá. A oportunidade surgiu porque o marido da minha prima está trabalhando lá e ela tem ido visitá-lo periodicamente. Desta vez o irmão dela também iria e me convidou pra acompanhá-los. A curiosidade pra conhecer o Panamá era grande e resolvi embarcar. Somado a isso, um grande amigo da época de colégio, Paulo, que hoje é engenheiro, está morando lá há alguns anos e já tinha me feito alguns convites. Mais um motivo pra viajar. Então arrumei as malas e planejei todos os detalhes. Pois bem, com tudo pronto partimos para o Panamá na madrugada do dia 25 de outubro.
Chegando lá alugamos um carro (que já estava no nosso orçamento), compramos um chip e ativamos uma linha local no meu celular (US$ 25,00) e partimos pro hotel. Tá aí uma dica que eu daria pra todo mundo: ativar uma linha telefônica local. Isso nos permitiu fazer e receber ligações, ter acesso à internet e, o mais importante, usar a rede 3G pra navegar pelo GPS do celular (o que nos economizou US$ 200,00 de aluguel do GPS da locadora de carros). Agora vamos ao que interessa.
O hotel em que ficamos, Torres de Alba, tem apartamentos no estilo Flat: sala, cozinha com área de serviço, banheiro e quarto. Era bem espaçoso; acessível, mas não adaptado. Eu já sabia disso com antecedência, mas como as portas eram largas e o banheiro espaçoso não tinha grandes problemas, eu me viro razoavelmente bem nessas situações. Foi só pedir que o hotel me arrumasse uma cadeira pra tomar banho e, pra minha surpresa, eles já tinham uma cadeira específica (infelizmente não tirei fotos desses detalhes).
Logo que saímos do aeroporto percebemos como a Cidade do Panamá é rica. Arranha-céus ocupam a vista, prédios de arquitetura ousada, uma bela estrada (com pedágios a um preço justo) nos conduz do aeroporto de Tocumen até o centro da cidade. A primeira impressão do trânsito foi terrível, é o mais louco que já conheci. E olhe que, antes do meu acidente, eu morei em São Paulo por quatro anos. Mas com todos os seus milhões de carros e aqueles motoboys malucos, o trânsito da nossa maior cidade parece brincadeira de criança. A regra é: não existe regra. As ruas são bem sinalizadas, placas bem colocadas, sinais de trânsito em pleno funcionamento... o que não funciona é o bom senso dos motoristas, pedestres, etc. Motoristas fecham cruzamentos, não respeitam a preferencial, pedestres andam pelo meio da rua, atravessam correndo sem aviso... E as buzinas, ah, a buzina é o esporte nacional. Uma sinfonia completa. Pra piorar o trânsito, a cidade é um canteiro de obras: pontes, viadutos, avenidas e metrô estão sendo construídos por toda a cidade. Uma curiosidade: alguns locais da cidade têm nomes, digamos, bastante sui generis, a exemplo o Distrito de Boquete e da Via Porras, que, felizmente, ficam bem distantes um do outro.
Logo que encontrei Paulo, comentei a respeito do trânsito e ele me explicou que desde que o Panamá assumiu o controle do canal, o volume de dinheiro que entra é muito grande, os caras não sabem o que fazer com tanta grana, mas a civilidade não cresceu na mesma medida que o desenvolvimento econômico, então existe essa discrepância entre a educação do povo e a economia crescente, o que reflete também no trânsito.
Mas e a questão da acessibilidade, como é a realidade de quem tem algum tipo de deficiência, como essas coisas são encaradas no Panamá, será melhor que no Brasil? Pra falar a verdade, não. A minha experiência mostrou que, apesar de termos que melhorar bastante, ainda estamos um pouco à frente, tanto no aspecto da estrutura quanto da consciência social. Visitei vários lugares, de restaurantes à baladas, de parques ao centro histórico, de shoppings a casas de massagem - hehehe essa última é brincadeira, mas até que não seria má ideia - e enfrentei vários perrengues com a falta de acessibilidade. Assim como aqui, nem todos os lugares têm rampas de acesso, muito menos banheiros adaptados, nesses casos sempre rola uma tensão, mas um improviso aqui, um jeitinho ali sempre resolvem o problema.
Uma coisa me chamou bastante atenção. Eu não vi pessoas com nenhum tipo de deficiência atuando diretamente na sociedade; seja trabalhando, seja passeando (dando a cara pra bater na inacessibilidade da rua, como eu estava fazendo). Na minha condição, leia-se cadeira de rodas, raras exceções: alguns nos shoppings da cidade (sempre sendo empurrados em cadeiras pré-históricas), outros pedindo esmolas nos cruzamentos, entre os carros. Realidade que, confesso, me deixou um pouco triste.
Diante dessa realidade eu não passei despercebido em lugar nenhum. A presença de um jovem de aparência saudável tocando sozinho a cadeira de rodas, subindo e descendo rampas e pequenos degraus, andando entre as pessoas "normais" parecia causar um estranhamento muito grande. Aqueles olhares, indiscretos na sua maioria, poderiam causar um desconforto muito grande em alguém que acabou de se acidentar e ainda está pouco à vontade nessa situação estranha; mas no meu caso, há mais de sete anos nessa luta, já não causam nenhum incômodo.
O mais interessante foi a comoção que a minha presença causou na balada. Meu amigo Paulo e eu fomos ao Hard Rock Hotel, a princípio ficamos no mezanino onde tocava uma banda de rock muito legal. Lá eu já percebi alguns olhares de curiosidade, mas nada demais, a única que quebrou o "protocolo" foi uma moça que dançou comigo e nos apresentou suas duas amigas: "Mi nombre es Ronald, yo no hablo español muy bien, pero lo entiendo. Y podemos hablar en Inglés también". Ficamos lá, conversamos um pouco com elas e depois subimos pra baladinha que rola no 62º andar, na cobertura. Uma vista linda da cidade, toda iluminada, boa música, gente bonita... E mais olhares curiosos. Mas não demorou muito pra alguém vir falar comigo e me fazer mil perguntas: "Cuál es su nombre? De dónde eres? Qué le parece Panamá?". E eu lá, me achando a celebridade hehehehehehe. Paulo se divertia com tudo aquilo e à medida que o estado etílico ia aumentando, íamos fazendo novos amigos e meu espanhol parecia ficar cada vez mais fluente. Por que será?




No Steinbock, um pub de influência alemã onde bebemos várias... tá bom, vááááááárias cervejas de todo o mundo, os olhares de curiosidade também surgiram, mas um pouco mais discretos. A grande dificuldade de lá é que o banheiro não era adaptado e todos sabemos como cerveja é uma bebida diurética. A porta que dava para os banheiros era larga e eu chegava numa antessala de mais ou menos 1,5m x 1,5m, à minha direita o banheiro feminino, à frente o masculino, mas as portas eram muito estreitas. A solução foi deixar Paulo de guarda na porta de entrada enquanto eu fazia o cat (vulgo, xixi pelo canudinho) na antessala com a bexiga quase explodindo. Detalhe, ele não foi um segurança muito eficiente e, em determinado momento abandonou seu posto, um cara abriu a porta (eu estava de costas) e saiu constrangido pedindo desculpas. Mas a alta concentração de álcool que corria em minhas veias não me permitiu ficar envergonhado. E viva a cerveja!


Mas nem todos os lugares estavam despreparados para receber pessoas com deficiência, alguns, a exemplo da Eclusa de Miraflores, onde tem um prédio pra receber os turistas que querem conhecer o Canal do Panamá, estão muito bem preparados. E vale mesmo a pena conhecer o canal, é uma obra de engenharia impressionante. O prédio é equipado com vagas reservadas, rampas, elevador, etc. A visita completa custa US$ 8,00 e começa com um filme em 3D que conta a história do canal, da fundação aos dias de hoje. Depois os turistas se encaminham ao mirador e podem ver o mecanismo das eclusas em funcionamento, com direito àqueles navios enormes passando apertadinhos pelo canal.



Mas não dá pra esperar que tudo seja adaptado, que tenha rampas e elevadores em todo canto. No último dia resolvemos fazer um passeio de barco pelo pacífico até a ilha Taboga. Na marina foi fácil chegar até o píer onde o barco atracou, mas pra descer pro barco não teve jeito, só sendo carregado, mesmo. O problema é que sendo pego assim nos braços a gente apega fácil, né? (uuuuiiii) E no barco também não tinha moleza, como era grande até tinha um banheiro, mas quem disse que dá pro aleijadinho usar? A solução foi fazer o cat escondidinho; e com o balanço do mar, que estava um pouco agitado foi ainda mais difícil, mas tudo se resolveu.



Terminado esse passeio, foi só voltar pro hotel, tomar banho, fechar as malas e pegar o caminho de volta. O Panamá, assim como o Brasil, ainda não é muito amigável aos quebrados, malacabados pela guerra, mas existem sim alternativas. Dá pra ver que já existe uma nova consciência se formando também por lá. Muitos lugares já apresentam rampas (nem sempre bem feitas), há bastante vagas reservadas, que pra minha surpresa pareceram ser mais respeitadas que no Brasil e por aí vai. Cheguei a encontrar um banheiro adaptado fechado por dentro no shopping e tive que procurar um rapaz dos serviços gerais, que pegou um rodo passou por cima da porta e a destravou. O Panamá se revelou um ótimo destino para passeio e também para compras (de roupas e eletrônicos principalmente), as barreiras estão lá, mas não são intransponíveis. As coisas são assim: Quem quer, dá um jeito; quem não quer, dá desculpa! O passeio foi muito bom, se você quer se divertir, Panamá é o canal!

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

O botox e a bexiga hiperativa. Parte 2 - A missão

Depois de  muito tempo de inatividade volto a publicar no blog. Desta vez, retomando um assunto do qual já falei em outra oportunidade. Quem não leu, é só clicar aqui.
A perda de movimentos é a sequela mais visível para quem sofreu uma lesão medular, mas não é a única. Dentre os mais complicados está a bexiga neurogênica, que é uma disfunção urinária causada, neste caso, pelo trauma no sistema nervoso central. A bexiga neurogênica pode ser hipoativa (incapaz de contrair e esvaziar completamente) ou hiperativa (esvaziando por reflexos incontroláveis), no meu caso, a segunda predomina.
Para melhorar a convivência com essa situação adota-se o uso de medicamentos anticolinérgicos, que inibem essas contrações involuntárias, combinados com o autocateterismo, que é a passagem de uma sonda pela uretra para esvaziar a bexiga em intervalos regulares (o que já é um grande impacto na qualidade de vida, mas ainda a melhor opção). Acontece que em alguns casos a resposta a esse tratamento não é eficiente e é preciso buscar outras alternativas, é aí que entra a toxina botulínica.
O botox, como é conhecido, é aplicado em alguns pontos da musculatura responsável por essas contrações, paralisando-as temporariamente. É exatamente a mesma substância utilizada nos procedimentos estéticos para acabar com as temidas rugas. Em outubro de 2010 me submeti ao procedimento e percebi uma melhora sutil, mas que não teve um grande impacto na minha qualidade de vida, as urgências miccionais diminuíram um pouco, mas eu esperava mais e aquilo foi um tanto desanimador.
Agora, três anos depois, cansado dessa convivência conflituosa, resolvi tentar de novo. Esperei cerca de um mês pra relatar as minhas impressões e posso dizer que dessa vez o resultado foi bem melhor. Me sinto muito mais confortável sem precisar ficar mijando toda hora. Mas é claro que não é uma solução mágica, o autocateterismo (ou cat, como nós malacabados chamamos carinhosamente), continua fazendo parte da rotina. Já o uso dos medicamentos pode ser suspenso por completo em alguns casos enquanto o efeito da toxina está ativo, não foi o que aconteceu comigo. Fui diminuindo gradativamente o uso dos remédios até parar completamente, mas percebi que ainda precisava de uma "ajudinha" medicamentosa e retomei o uso, desta vez com uma dose bem menor.
O efeito da toxina dura alguns meses e vai perdendo força gradativamente, de forma que o procedimento precisa ser repetido ao longo do tempo. Mas é um procedimento bem simples, uma cirurgia sem cortes, feita via uretra e sem pré nem pós-operatórios complicados. Claro que passar por uma internação e todo esse processo é um pouco cansativo e, como eu disse, o botox não é uma solução mágica, mas uma alternativa por uma melhor qualidade de vida.
À medida que for percebendo as mudanças venho contá-las por aqui, além de outros assuntos interessantes a serem abordados no blog. Sei que tenho andado muito ausente do "Rodas", mas vou tentar movimentar um pouco as coisas. E assim a gente vai levando, foco no presente e bola pra frente.
Beijos nas crianças!

sábado, 27 de abril de 2013

Humor Negro. É rir pra não chorar.

Quebrados, malacabos, deficientes, aleijados... Não importa o nome que se dê, se você se encaixa na definição, precisa aprender a fazer graça da própria desgraça, fazer piada da sua condição, rir pra não chorar. Afinal, a vida fica mais leve quando encarada com humor, né? Então vai mais uma piadinha de humor negro que me lembrei por esses dias:



O Aleijado no Circo


Num circo, durante a apresentação, um leão escapou da jaula e foi pra cima do público.
As pessoas começaram a correr de um lado para o outro, enquanto um aleijadinho, numa cadeira de rodas, se esforçava pra sair dali.
Alguns, ao verem o deficiente, gritavam para que alguém o acudisse:
 
- Olha o aleijado!!! Olha o aleijado!!!

Preocupado, o público continuava gritando e o aleijado girava cada vez mais rapidamente na sua cadeira.
 
- Olha o aleijado!!! Olha o aleijado!!!

E o aleijado, sem aguentar a pressão, gritou:

- VÃO SE TODOS FUDER, SEUS FILHOS DA PUTA!!! DEIXEM O LEÃO ESCOLHER SOZINHO, PORRA!!!


É pra rir ou pra chorar?
Moral da história: "Aleijado SEMPRE se fode!"

quinta-feira, 7 de março de 2013

Spotlight Salvador Hotel - Avaliação de Acessibilidade.

O Spotlight é um hotel de classe econômica, daqueles utilizados geralmente por quem está a trabalho e/ou procura apenas um lugar confortável pra dormir enquanto está na cidade. No meu caso, que fui a Salvador prestar o concurso do BNDES, era mais do que suficiente. O hotel é muito bem localizado, próximo à entrada de Salvador e vizinho ao Shopping Iguatemi, com fácil acesso pra qualquer lugar da cidade. Eu já conhecia o hotel e tinha ligado com antecedência pra reservar o quarto adaptado.
Já na entrada um ponto deixa a desejar, o único acesso pela porta principal é feito por uma escada e não tem a menor condição de um cadeirante entrar por lá. Existe uma rampa mais ao lado que dá acesso ao estacionamento do hotel e é o único lugar por onde eu entraria, caso chegasse na cadeira de rodas. Chegando de carro tudo fica mais fácil, é só entrar e desembarcar lá dentro e entrar pela porta que leva à recepção.

Porta principal. "E agora, como eu faço?".
 
Rampa de acesso ao estacionamento.
 A mesma rampa vista mais de longe.
O quarto é bem espaçoso, tem duas camas de solteiro e dá pra circular tranquilamente sem esbarrar em nada. Seria melhor se tivesse mais uma bancada e uns ganchos pra pendurar roupas, essas coisas que facilitam a vida. O cabideiro do guarda-roupas é muito alto e não dá pra ser alcançado por quem está numa cadeira. (Não reparem na bagunça, as fotos foram feitas enquanto as malas eram arrumadas).


Vista da entrada do quarto.

Bancada e apoio para a mala.
  Cabideiro muito alto.
O banheiro também é bastante espaçoso e o box tem um bom tamanho, mas o hotel precisa investir numa cadeira própria. Já me hospedei lá outras vezes e dei a sugestão, mas se não fosse pela boa localização já teria ido pra outro. Levei uma cadeira de plástico, dessas usadas em área externa (piscinas, varandas, etc), e me viro facilmente com isso. O sanitário também tem bastante espaço pra transferências e não representa nenhum problema. Já a pia é muito pequena e joga água pra todo lado quando vamos lavar as mãos, escovar os dentes, etc. Uma bancada ao lado também cairia muito bem.

O box é espaçoso, mas o hotel precisa investir numa cadeira própria.
 
 O vaso sanitário não tem nenhum problema.
 A pia é muito pequena e merecia uma bancada.

Na hora do check-out deixei aquela ficha de avaliação preenchida e com algumas sugestões na recepção e expliquei os problemas. As atendentes foram muito atenciosas e disseram que minhas observações serão respondidas pelo e-mail. No fim das contas, apesar de algumas falhas, o hotel cumpre o seu objetivo, é um local simples e barato, mas confortável e aconchegante. Espero que minhas sugestões realmente sejam observadas e que numa próxima oportunidade esses problemas sejam sanados. Problemas existem em todos os lugares, mas se isso fosse impedimento a gente ficava em casa reclamando e deixava de viver, não é verdade?
Aquele abraço.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Inclusão?


O que fazer quando o poder público, que deveria trabalhar pela inclusão da pessoa com deficiência, passa a segregar os cidadãos? Vamos aos fatos. No dia 17 de março será realizada a 30ª Corrida Cidade de Aracaju, data em que é comemorada a mudança da capital de Sergipe: de São Cristovão (a 4ª cidade mais antiga do Brasil) para Aracaju. Bom, a corrida tem um contexto simbólico e é o ponto alto das comemorações, já que os atletas fazem o percurso entre as duas cidades, num total de 25 km.
Acontece que o evento, realizado pela Secretaria Municipal de Esporte e Lazer da nossa capital quer impedir a participação de atletas com deficiência na prova. Com o argumento de... qual é o argumento, mesmo? Ah, tá. Não existe... No ano passado, eu e outro atleta, Ulisses Freitas, estávamos inscritos na competição, e já houve então alguma resistência. Nos fizeram assinar um termo de responsabilidade confirmando o nosso interesse em participar da corrida e declarando ciência de que não foram tomadas as medidas necessárias para a nossa participação. No dia anterior eu adoeci e infelizmente não pude participar, mas Ulisses compareceu e adorou ter feito o percurso, disse que foi gratificante.
Enfim, passado um ano e sabendo do interesse dos atletas com deficiência em participarem da prova, nada foi feito. A desculpa da falta de preparo já não cola, até porque a única exigência feita é que a largada destes seja feita antes e de forma separada, para segurança de atletas e paratletas. No mais é comer asfalto. Pessoal, isso vai de encontro a tudo que vem sendo feito no mundo. A presença dos paratletas engrandece o evento e torna a prova mais bonita e atraente aos olhos do público.
Soma-se a isso uma ideia retrógrada de imputar incapacidades às pessoas com deficiência. Nos foi privado o direito de participar da prova, mas, assim como ano passado, será realizada uma corrida paralela com a distância de, pasmem, 3 Km. Desculpem a falta de modéstia, mas sinceramente, não dá nem pra aquecer o braço. Uma cidade que tem um programa de bolsa-atleta, que visa formar atletas (e paratletas) de nível olímpico se prestar a um papelão desses não tem cabimento. 
Tenho feito de 30 a 40 km nos treinos realizados diariamente e não posso participar de uma corrida de 25 km? As corridas de rua e competições de paraciclismo que tenho participado no estado e fora consideram um privilégio ter atletas com deficiência na competição. As etapas da Copa Brasil de Paraciclismo do ano passado eram divididas em dois dias, no primeiro percorre-se 15 km no CRI (Contra-relógio Individual) e no segundo dia a prova de resistência tem, em média, 60 km (isso no caso da categoria que participo na handbike, outras categorias têm distâncias ainda maiores). Mas aqui a coisa é diferente. 
Bem, amigos... Pode isso, Arnaldo?

A regra é clara, preconceito não pode!

Enfim, estamos tentando chegar a uma conclusão. Justificativa não existe, isso é pura segregação. O que só faz aumentar o preconceito e o estigma de que as pessoas com deficiência são incapazes. Não gosto de frases feitas, mas essa traduz bem o espírito desse post:

"Deficiente é aquele que não consegue modificar sua vida, aceitando as imposições de outras pessoas ou da sociedade em que vive, sem ter consciência que é o dono do seu destino".
Nesse contexto quem é o deficiente? Vale a reflexão. Qualquer novidade eu conto por aqui.

Beijo nas crianças.




terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Ultraleve - Avaliação de Acessibilidade

Fachada.

Entrada.

Bom, inspirado em outros blogs que acompanho, vou começar a avaliar a acessibilidade em alguns locais de Aracaju e por onde eu esteja nesse mundão afora. Começando pelo restaurante Ultraleve, que fica na orla da Atalaia.
O Ultraleve é um restaurante cuja proposta é servir comidas leves, como o próprio nome diz (dããããã), e saudáveis. Foi a primeira vez que fui lá e a experiência foi muito agradável. O restaurante é bem acessível e o ambiente bem aconchegante. Pra completar, o prato que eu comi estava delicioso.
Agora, como diria Jack, o estripador, vamos por partes. Existe uma rampa na calçada, cuja inclinação é um pouco mais que o ideal, mas nada que impossibilite o acesso. Também poderia estar mais sinalizada, com uma pintura no chão e/ou uma placa indicativa. Quando cheguei ao restaurante o acesso estava livre, mas na hora da saída um cidadão fez o favor de estacionar bem na frente da passagem. Como eu disse, a rampa não estava sinalizada, então vamos fingir que foi uma mera distração do motorista e não a pura falta de respeito.

Rampa na calçada. 
(no momento bloqueada por um carro estacionado).

Agora um problema que os cadeirudos conhecem bem, mas que a maioria das pessoas não atenta: as mesas. Todas têm os pés em "x", sem um vão livre para que um cadeirante possa se instalar da maneira mais confortável. A solução nesse caso é se posicionar lateralmente e relaxar. Mas isso é o de menos, geralmente tenho problemas maiores e em muitos lugares essas mesas são as mais comuns. Uma alternativa simples é ter uma ou duas mesas que se adequem à norma (segue ilustração), assim o restaurante pode manter essas, que são mais práticas, e melhorar o acesso para todos.

Mesa com os pés em "x".

Ilustração da NBR 9050/2004.
Fonte: Arquitetura Acessível (http://thaisfrota.wordpress.com/)

Próximo ponto: o banheiro. Esse é o grande problema na maioria dos lugares, porque com uma ajuda aqui e ali, conseguimos contornar a maioria das dificuldades, mas nesses casos às vezes é mais complicado. Aqui no Ultraleve existem dois banheiros adaptados, um masculino e um feminino. Eles não são exclusivos e eu não precisei utilizá-los, mas obviamente entrei no masculino pra checar. O banheiro é limpo, espaçoso, tem as barras de apoio (que pra mim não fazem falta, mas muita gente precisa) e a pia tem espaço suficiente para encaixar a cadeira de rodas e os meninos lavarem a mãozinha depois de pegar no pipi (no caso das meninas... vocês já sabem). :-p

 Banheiro limpo, espaçoso e com as barras de apoio.

Pia com vão livre para posicionar a cadeira. 

Agora vamos ao que interessa: a comida. Eu pedi um prato muito bom, decorei do cardápio, então espero que esteja tudo certo. Lá você pode montar o seu prato escolhendo a proteína e os acompanhamentos de sua preferência, mas eu escolhi uma das sugestões do cardápio e não me arrependi. Salmão com couris de damasco, arroz integral com ervas e purê de inhame. A foto não é das melhores, mas o prato eu recomendo.

Filé de salmão e acompanhamentos.

Conclusão. Eu recomendo o Ultraleve, a comida é ótima e é perceptível que houve uma preocupação com a acessibilidade do local. 
A intenção dessas avaliações é esclarecer e difundir a importância de promover o acesso universal. Dúvidas e/ou sugestões são sempre bem vindas.
Aquele abraço.


ULTRALEVE

Av Santos Dumont, 369 - Atalaia
AracajuSE | CEP: 49037-475 

  • (79) 3243-6124