segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

As Sessões


 Quando "As Sessões" entrou em cartaz eu estava muito curioso e com muita expectativa para assisti-lo. Já tinha lido algumas críticas positivas e queria saber como um tema tão complexo seria abordado no cinema. Mas aqui em Aracaju as opções de cinema ficam quase restritas à rede Cinemark, que não privilegia filmes fora do circuito comercial. Talvez o filme tenha sido exibido em curtíssima (íssima, mesmo) temporada em alguma sessão Cine Cult, mas eu não tinha conseguido assistir... até agora.


Mark O'Brien é um escritor e poeta que contrai poliomielite na infância e fica apenas com os movimentos restritos acima do pescoço. Aos 38 anos, Mark decide dar início a sua vida sexual e para isso contrata uma terapeuta especializada em ajudar pessoas com deficiências como a sua a encontrar o seu potencial nesses quesitos de saliência... Vocês entendem à que me refiro, né?
Pois bem. Ao longo das sessões Mark tem que aprender a lidar com suas inseguranças e medos, além do completo desconhecimento nesse tipo de relações íntimas. Sua falta de jeito é óbvia, engraçada e até comovente. Ele acaba, inevitavelmente, se envolvendo emocionalmente com mulheres que cruzam o seu caminho, sofre com a rejeição em alguns casos e divide suas dúvidas com o amigo padre Brendan, que se vê constrangido ao falar do assunto, mas entende a situação de Mark.
O filme é muito bonito, poético, emocionante... Acho que nos faz refletir a respeito da força do espírito humano, é uma daquelas obras que nos faz sentir mais leves. Como eu não gosto de estragar a surpresa de ninguém e quero que vocês assistam, vou deixá-los com o poema escrito por Mark para Cheryl, sua terapeuta. Mas creio que o poema, escrito inicialmente para ela, tomou uma proporção muito maior, uma declaração de amor à vida:


Poema de amor para ninguém em especial 

Deixe-me tocá-la com minhas palavras
Pois minhas mãos inertes pendem
como luvas vazias
Deixe minhas palavras acariciarem seu cabelo
deslizar tuas costas abaixo
e brincar em teu ventre
pois minhas mãos,
de voo leve e livre como tijolos
ignoram meus desejos
e teimosamente se recusam a tornar realidade
minhas intenções mais silenciosas
Deixe minhas palavras entrarem em você
carregando lanternas
aceite-as voluntariamente em seu ser
para que possam te acariciar devagarinho
por dentro.

Mark O'Brien 


Beijo nas crianças.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Força, Laís!


Força, Laís! Eu já estive onde você se encontra agora. Talvez seja por isso essa angústia que sinto quando vejo alguma notícia a seu respeito ou simplesmente lembro da situação.

"Força, Laís!". Digo pra mim mesmo sempre que ouço especulações a respeito do seu estado de saúde: "Laís Souza pode nunca mais voltar a respirar sem a ajuda de aparelhos"; "Laís Souza não mexe braços e pernas"; "Laís Souza pode ter sequelas irreversíveis"... Espero que você não se prenda a previsões, elas não são certezas. Pense no agora.

Força, Laís! É difícil estar preso à imobilidade recém-adquirida do corpo, mas o processo é lento, requer paciência. A última notícia que tive é que a sua mãe já está ao seu lado. Aproveite, isso faz toda a diferença.

Força, Laís! Aposto que a toda hora você recebe recados da família, amigos e até desconhecidos que estão torcendo por você (inclusive eu). É muito bom se sentir querido, então abrace esse sentimento, as orações de todos por você.

Força, Laís! A vértebra deslocada, a medula comprimida, não são sentenças absolutas. Eu cheguei a ouvir prognósticos muito ruins que não se confirmaram.

Força, Laís! Situações como essa são acidentes e acontecem diariamente. Mas o fato de você ser uma pessoa pública traz a notícia pra dentro da casa das pessoas e acho que por isso me sinto tão próximo da situação, me pego lembrando do que aconteceu comigo. Então desejo que você mantenha a serenidade que eu, felizmente, consegui durante a internação; que você receba tanto carinho quanto eu recebi e que consiga transformar esse sentimento das pessoas em energia positiva.

Força, Laís! Lesão medular não é brincadeira, mas eu não ouvi nenhuma declaração afirmando que você lesionou a medula seriamente. A vértebra foi deslocada, a medula comprimida e isso gerou um edema (pelo menos assim foi divulgado). A minha torcida é para que não seja nada além disso e que você se recupere por completo. E se, por infelicidade, houver sequelas, que elas sejam as menores possíveis.

Força, Laís! A minha torcida é total por você e é isso que eu tenho a dizer: força!