quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Mais uma das células-tronco

Essas meninas são danadas mesmo. As células-tronco, grande esperança da medicina na cura de inúmeras doenças no futuro, podem ter nos dado uma grande notícia essa semana. O paciente Timothy Brown, soropositivo para o HIV, recebeu há mais de três anos um transplante de medula óssea para tratamento de uma leucemia. Acontece que as células recebidas não tinham o receptor CCR5, que permite que o vírus entre na célula, o que o tornou resistente ao HIV. Hoje, passados mais de três anos do transplante, ele não tem mais HIV no sangue e nem os anticorpos para o vírus, é como se ele nunca tivesse tido Aids. Um belo presente do acaso, né?
Bom, como as células-tronco são também uma grande esperança de recuperação de pacientes com lesão medular, que é o caso deste que vos fala, resolvi postar a notícia aqui pra vocês ficarem cientes. Vou colar também a matéria do jornal O Dia Online, que explica tudo sobre o assunto. Beijo nas crianças!


Transplante de medula cura paciente com Aids

 

Timothy Brown, que tinha leucemia, recebeu células-tronco de um doador resistente ao HIV. Caso pode dar dicas sobre como vencer luta contra a doença


Rio - Um americano de 42 anos parece ter sido o primeiro caso de cura da Aids desde o início da epidemia que, só no ano passado, matou 1,8 milhão no mundo, segundo a OMS. Timothy Ray Brown, que além do HIV tinha leucemia, foi submetido a um transplante de medula óssea em 2007. Desde então, o americano não tem nenhum sinal de que um dia teve Aids.

“Mais de três anos após o transplante, o paciente não tem HIV no sangue e nem mesmo os anticorpos para o vírus. É como se ele nunca tivesse Aids”, explica o médico Érico Arruda, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia.



No transplante, realizado em 2007, Timothy recebeu células-tronco de um doador que tem uma mutação genética que o torna resistente ao vírus. Quando a medula implantada passou a funcionar e produzir as células sanguíneas no organismo de Timothy, ele passou a ter a mesma resistência ao HIV.
“As células de defesa do doador não tinham um receptor CCR5, que permite que o HIV entre nas células. Após o transplante, o paciente passou a ter a mesma condição. Mesmo sem tomar medicação contra o HIV, o vírus não voltou. É um sinal de que provavelmente ele está curado e isso pode apontar caminhos importantes”, diz Érico.
Assessor do Ministério da Saúde, Ronaldo Hallal diz que o caso do “paciente de Berilm”, como Timothy é conhecido, “sinaliza uma possibilidade futura, mas é preciso tempo” para assegurar que houve a cura. Cientistas estão otimistas, mas lembram que a técnica não pode ser usada em massa devido a dificuldades — como ter doadores compatíveis e imunes, além do risco do transplante.

Notícia levou esperança a pacientes soropositivos

A possibilidade de cura da Aids — ainda que sem prazo definido — aumentou as esperanças de portadores da doença. O ativista Cazu Barroz, que convive com o HIV há 21 anos, acredita que a experiência pode significar mais um avanço para que pesquisadores concentrem-se em encontrar não só a cura para o HIV, mas uma forma de minimizar os danos da doença.
“Li profundamente esse estudo e fiquei feliz com as conclusões, apesar de ainda serem necessários mais estudos. Esses avanços científicos fazem com que eu acredite que em 10 anos tenhamos medicamentos que possam, pelo menos, tornar a Aids uma doença crônica”.
A coordenadora do grupo Pela Vidda, Mara Moreira, comemorou a notícia, mas ressaltou que é preciso ter cautela.

“As pessoas não podem banalizar a doença, achar que tem cura e parar de se prevenir. Vemos esse anúncio dos cientistas com muita cautela. Por enquanto, a única arma eficiente e segura que temos é o preservativo. O resto ainda está em fase de estudos”, afirmou Mara.

Reportagem de Clarissa Mello e Pâmela Oliveira

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