sábado, 29 de dezembro de 2012

Pilates

Chegou um determinado momento no meu período de reabilitação em que a fisioterapia já tinha cumprido o seu papel. Eu já percebia há algum tempo que não podia esperar ganhos reais no meu estado geral (novos movimentos ou aumento de força dos movimentos que tinha recuperado ao longo do tempo), além do mais, aquela rotina já tinha me cansado e a minha cabeça já não suportava mais viver num eterno tratamento de saúde. Tinha chegado o momento e eu resolvi abandonar a fisioterapia.
Nessa etapa, o simples fato de ter uma vida ativa já não me cansava mais, eu podia levantar pela manhã e ter um dia ocupado sem que aquilo me deixasse completamente esgotado (fato comum nos primeiros anos de lesão). Já praticava o basquete em cadeira de rodas há algum tempo, então o meu condicionamento e força tinham melhorado consideravelmente. Voltei a dirigir, estudar, trabalhar e passei a levar a vida da melhor maneira que me fosse possível. É um momento de transição bem difícil, mas necessário.
Todo mundo precisa se cuidar, isso é fato. As pessoas já sabem há muito tempo da importância de praticar alguma atividade física, mas muita gente ainda prefere continuar sedentária. Mas quando a gente tem uma deficiência, essa necessidade se torna ainda mais urgente. No meu caso, com a lesão medular, que restringe vários movimentos, é importante manter a saúde articular e o alongamento dos músculos pra mantê-los em boas condições e evitar problemas futuros. Então, depois de algum tempo decidi que precisava continuar me cuidando de alguma forma que não me causasse um desgaste mental tão grande e imaginei que o Pilates poderia me ajudar. Indicado pelo fisioterapeuta que já dava aulas pra minha mãe, cheguei a um Studio que tinha boa acessibilidade aqui perto da minha casa e falei diretamente com César, que é fisioterapeuta e dá aulas de Pilates. A partir daí, comecei a frequentar duas vezes por semana.

Alongando a musculatura posterior das pernas.

 Fortalecendo a musculatura abdominal. De um lado...

 E do outro.

 Buscando o equilíbrio utilizando a resistência das molas.

 Por outro ângulo.

 Tentando manter o equilíbrio num exercício de isometria.

 Mais uma vez.

 Alongando a musculatura lateral do tronco.
Faço isso dos dois lados e alonga bastante.

 Mantendo a postura, puxo as molas pra trás com os braços esticados.

 Controlando a respiração. Expirando na hora do esforço.

 Estica essa mola, rapaz!

 Remada.

 Aqui, como nos exercícios anteriores, o objetivo é melhorar o equilíbrio. 
A carga não é tão importante.

 Mais fortalecimento do abdome.

Pra cima...

Ao longo do tempo, fomos ajustando os exercícios que me ajudassem a trabalhar as funções que eu mais precisava no momento, fosse fortalecer a musculatura superior pra diminuir as dores que eu sentia nos ombros e pescoço (graças a sobrecarga nessas regiões), ou melhorar o equilíbrio e o alongamento da musculatura, entre outras coisas. Já pratico o Pilates há dois anos e isso tem me ajudado bastante, venho evoluindo em todos os aspectos que nos propomos a trabalhar. As dores nos ombros e pescoço sumiram e o meu alongamento melhorou sensivelmente, o que ajuda, inclusive, a diminuir a espasticidade (aquelas contrações involuntárias da musculatura que quem convive um pouco comigo conhece bem).
Nesse tempo já mudamos a série, criamos novas posições e exercícios que me permitem exercitar a musculatura de várias formas. Com o conhecimento técnico e científico de César, uma boa dose de criatividade e o meu feedback, os exercícios foram surgindo. Esses são apenas alguns dos que eu realizo por lá e continuamos criando. O importante é não ficar parado.
Como falava uma das músicas de Michael Jackson: "Don't stop 'till you get enough" ("Não pare até que esteja satisfeito", ou "Só pare quando se satisfizer").

4 comentários:

  1. Muito bom o post Ronald. É por ai mesmo, temos que nos manter em ação sempre. Feliz 2013!!! Abraços...

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    1. É Débora, não dá pra parar. :)
      Feliz 2013 pra vc tbm.
      Bjs

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  2. como você fez esses exercícios se não conseguia se mover do pescoço pra baixo? .-.

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    1. Marina, quando eu retomei a consciência realmente não tinha quase nenhum movimento abaixo do pescoço. Mas a minha lesão foi incompleta, ou seja, não afetou todo o diâmetro da medula. Daí, com o tempo e a reabilitação eu fui conseguindo algumas evoluções e até novos movimentos foram surgindo, mas como eu disse no post, essa evolução também estacionou, então eu tenho que manter da melhor forma possível.

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