quinta-feira, 26 de abril de 2012

Banzo

São Paulo, 15 de abril de 2012.
Vim mais uma vez para São Paulo, dessa vez pra participar de uma corrida, uma meia maratona. Eu e mais dois amigos, Ulisses e Tarcísio. Ulisses também é cadeirante e veio correr, Tarcísio é nosso apoio, dá uma força em tudo que a gente precisa, afinal, nós não damos conta de carregar as handbikes.  Ele viaja com o nosso time de basquete em cadeira de rodas e dá todo o suporte que precisamos. Assim que eu e Ulisses decidimos participar da corrida, o convidamos pra vir com a gente dar aquela mãozinha.


A corrida foi pela manhã, o nosso transporte atrasou um pouco e acabamos chegando em casa por volta das 13h30, tomamos um banho e fomos almoçar, depois voltamos pro apartamento. Por questão de economia decidimos ficar no apartamento que eu morei por quase quatro anos em São Paulo. Assim que eu sofri o acidente e voltei pra Aracaju, nosso apartamento ficou em stand by, não sabíamos o que fazer. Minha ideia, então, era me recuperar o mais rápido possível e voltar pra minha antiga vida, retomar tudo do ponto em que parou. Não foi bem o que aconteceu. Mas o meu irmão Guilherme, que acabara de se formar em odontologia, passou em uma especialização aqui em Sampa e veio morar no apartamento. Agora, ele já terminou os estudos e acabou de voltar pra Aracaju.
Pois bem, depois do almoço estávamos cansados e fomos descansar um pouco. Fui para o meu antigo quarto, minha antiga cama. Encostei a cabeça no travesseiro e apaguei, mas o sono não durou muito. Dei-me conta que agora que o meu irmão tinha voltado pra casa, aquela era, provavelmente, minha última passagem pela minha antiga casa, onde eu fiz planos, criei expectativas e vivi alguns dos melhores anos da minha vida. Lembrei-me dos anos de faculdade, da ansiedade pra conseguir o primeiro estágio, os dias de trabalho, a correria pra entregar o TCC, as baladas, as ressacas, a festa de formatura... Seguindo essa lógica, não pude deixar de lembrar tudo que tinha planejado pra minha vida. Saudade de um tempo que não vivi.
Cara, foi foda! Eu levantava da cama, ia até a cozinha, voltava pra cama, tentava dormir e não conseguia, tentei ler o livro que tinha comprado há poucos dias, era impossível me concentrar. E o tempo foi passando, liguei a televisão antiga que ainda tinha por lá e tentei me distrair um pouco, nunca prestei tanta atenção no Domingão do Faustão como naquele dia. Mandei mensagem para os amigos de São Paulo, pelo menos aqueles que eu tinha o telefone, queria saber se a saída à noite pra rever todo mundo ia dar certo, mas acabou não rolando porque todos tinham outros compromissos. Pelo menos no sábado conseguir rever alguns deles, uma pizza à noite. Ah, as pizzas de São Paulo...


Falei com Celso, que disse que ia passar por lá depois de dar uma corrida no Ibirapuera. Bibiu foi lá em casa conversar comigo, ela é a esposa do zelador, Seu Zé, e trabalhou como diarista comigo e meu irmão. Inevitavelmente, criamos um vínculo muito forte Falei como tinha passado a tarde, ela também lamentava, dizia que tinha acostumado com a nossa presença. Minha e do meu irmão. E se perguntava como seria agora, ia sentir muita saudade. Mais tarde Celso também chegou e ficamos conversando, eu, ele e Tarcísio, também falei como tinha me sentido horas antes. Bibiu voltou lá em casa e ficou conversando com Celso mais um tempão. Ela fala pra caralho! Muito engraçado. Depois foi embora. Contei a Celso as novidades da minha vida em Aracaju, ele me falou das coisas de São Paulo e de quando planejava aparecer na terrinha.
E foi isso. Depois que ele foi embora fui arrumar as coisas pra dormir, aquela angústia já tinha passado fazia tempo e às seis e meia da manhã, a van que nos levaria ao aeroporto estaria lá na porta.
Pontualmente o transporte chegou. Tarcísio desceu as bagagens e foi arrumar as handbikes pra viagem. Eu fui o último a sair, dei uma última olhada no apartamento como se quisesse imprimir tudo aquilo na minha memória (como se precisasse...). Mais um ciclo se fecha. Por mais que eu já não morasse lá, aquele apartamento era um vínculo que eu ainda tinha com a minha antiga vida. Agora só ficam os amigos e as lembranças que levo comigo. Até breve, São Paulo.


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